Laudo pericial realizado pelo Setor Técnico Científico da Polícia Federal no PR em peças fossilíferas contribuiu para que um item do material fosse reconhecido como uma nova espécie paleontológica.
O trabalho realizado pelos peritos criminais do Setor Técnico Científico do Paraná merece cumprimentos. Recentemente, um laudo pericial realizado pelo SETEC/PR em peças fossilíferas, provenientes de uma apreensão da Delegacia da Polícia Federal de Foz de Iguaçu, contribuiu para que uma peça do material fosse reconhecido como uma nova espécie paleontológica.
Durante operação de rotina, foram encontrados no interior de um veículo, prestes a serem contrabandeados, exemplares de madeira petrificada, ictiofósseis (peixes), moldes de conchas e de amonites, além de outras duas peças de difícil descrição e classificação, posteriormente enviadas para exames periciais.
Com apoio da Dra. Cristina Silveira Vega, Professora de Paleontologia do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Paraná, foi possível realizar a classificação correta de todos os fósseis e a conclusão do laudo. Em seguida, os espécimes foram doados para o acervo científico da UFPR, com trâmites burocráticos se estendendo por um período de dois anos.
A partir daí, a continuidade dos estudos acadêmicos sobre o material permitiu a confecção de uma monografia, além da identificação de uma nova espécie de tartaruga fóssil, semelhante às já conhecidas em sítios paleontológicos de Minas Gerais.
Segundo o Perito Criminal Federal, Fábio Salvador, esse é um exemplo de conquista científica relevante, decorrente de trabalhos periciais detalhados, em conjunto com o meio acadêmico. “No momento em que ocorre o aprimoramento da análise para fins de publicação de artigo científico sobre a descoberta, há que se valorizar a associação de esforços entre o DPF e a UFPR, que levou à importante descoberta e a perspectivas de um novo enfoque na condução das apreensões de fósseis, patrimônio da União, e sua abordagem técnico-científica por parte da Criminalística da Polícia Federal” afirma, Salvador.
Fonte: APCF.ORG.BR
segunda-feira, 10 de maio de 2010
quinta-feira, 6 de maio de 2010
III Seminário de DNA e Laboratórios Forenses
Segue abaixo uma mensagem que recebi. Aos interessados, entrem em contato com a associação referida para maiores informações.
Prezados peritos associados à ABC,
A ABPC (Associação Brasiliense de Peritos em Criminalística) anuncia que aceitou a proposta da ABC para sediar o evento "III Seminário de DNA e Laboratórios Forenses".
O encontro será, portanto, em Brasília, no período de 21 a 24 de setembro de 2010 (a ser confirmado em breve), com cursos no primeiro dia e palestras nos demais.
Composta nossa Comissão Organizadora, aguardamos sugestões de temas e palestrantes para os cursos do dia 21 e para palestras e mesas-redondas nas manhãs dos dias 22 a 24. Num primeiro momento, propomos a realização de workshops e apresentações de trabalhos no período vespertino.
As sugestões podem ser remetidas ao email da associação: abpc.df@gmail.com
Desde já agradecemos o interesse e as sugestões.
Gratos.
Comissão Organizadora do III Seminário Nacional de DNA e Laboratórios Forenses
domingo, 2 de maio de 2010
Valor da prova testemunhal
Saídos de um ditadura recente, houve um aumento da criminalidade e, ao mesmo tempo, o surgimento de uma repulsa a "tortura" por parte da polícia, desmoralizando a confissão e até a prova testemunhal. Nesse contexto, surge a importância do trabalho pericial que, impulsionado pelo crescente avanço no conhecimento científico, vem a valorizar a prova material.
É fato que testemunhas podem ser intimidadas, mas não pretendo entrar neste mérito hoje, mas apenas questionar a capacidade de concentração e de retratação de fatos criminais por testemunhas. Até que ponto as mentes humanas podem retratar situações de estresse de forma detalhada como testemunhas?
A prova testemunhal depende de muitas variáveis externas (iluminação do local, ponto de vista da testemunha, natureza do fato, etc...) e internas (concentração, nervosismo, capacidade de memorização, conflitos pessoais, etc..).
Para testar a capacidade de concentração, Simons & Chabris (1999) propuseram o seguinte teste:
INSTRUÇÕES:
1.No vídeo abaixo, conte quantas vezes as pessoas de branco passam a bola.
2.Não leia o resto do post antes de ver o vídeo.
É impressionante como nossa capacidade de concentração é relativa.
Um amigo que leu o livro "The Invisible Gorila" de Simons & Chabris (1999) disse que nem os próprios jogadores (de branco ou preto) viram o gorila passando. Quantas vezes na vida a gente encontra alguém que pensa conhecer de algum lugar? Quantas vezes não reconhecemos uma pessoa logo depois de conhecê-la? É provado que o reconhecimento facial é mais apurado em pessoas da mesma raça, por isso que japonês é tudo igual pra gente e pra eles não! :)
Agora vamos voltar a prova criminal. Até que ponto devemos acreditar na prova testemunhal? Embora os dispositivos legais não estabeleçam hierarquia entre os diferentes tipos de prova, neste blog nós sabemos que "a prova material é sempre mais legal em todos os sentidos"!!! :)
PS> Os demais videos do Prof.Simons também sao interessantes.
É fato que testemunhas podem ser intimidadas, mas não pretendo entrar neste mérito hoje, mas apenas questionar a capacidade de concentração e de retratação de fatos criminais por testemunhas. Até que ponto as mentes humanas podem retratar situações de estresse de forma detalhada como testemunhas?
A prova testemunhal depende de muitas variáveis externas (iluminação do local, ponto de vista da testemunha, natureza do fato, etc...) e internas (concentração, nervosismo, capacidade de memorização, conflitos pessoais, etc..).
Para testar a capacidade de concentração, Simons & Chabris (1999) propuseram o seguinte teste:
INSTRUÇÕES:
1.No vídeo abaixo, conte quantas vezes as pessoas de branco passam a bola.
2.Não leia o resto do post antes de ver o vídeo.
É impressionante como nossa capacidade de concentração é relativa.
Um amigo que leu o livro "The Invisible Gorila" de Simons & Chabris (1999) disse que nem os próprios jogadores (de branco ou preto) viram o gorila passando. Quantas vezes na vida a gente encontra alguém que pensa conhecer de algum lugar? Quantas vezes não reconhecemos uma pessoa logo depois de conhecê-la? É provado que o reconhecimento facial é mais apurado em pessoas da mesma raça, por isso que japonês é tudo igual pra gente e pra eles não! :)
Agora vamos voltar a prova criminal. Até que ponto devemos acreditar na prova testemunhal? Embora os dispositivos legais não estabeleçam hierarquia entre os diferentes tipos de prova, neste blog nós sabemos que "a prova material é sempre mais legal em todos os sentidos"!!! :)
PS> Os demais videos do Prof.Simons também sao interessantes.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Clipping Pericial (abril/2010)
Segue um resumo das notícias relacionadas à perícia criminal do mês de abril/2010:
O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo entrou com uma ação contra o Conselho Regional de Biomedicina de São Paulo (CRBM - 1ª Região), que está exigindo que peritos criminais que trabalham no Instituto de Criminalística da Superintendência da Polícia Técnico-Científica do Estado se registrem como profissionais biomédicos, o que os obriga a pagar a inscrição e anuidades do Conselho e os sujeitam às penalidades do estatuto do órgão.
Eventos, promovidos pelo CPFOR e APOCAL, terão presença de perita que atuou no caso “Isabela Nardoni”
Adimar da Silva estava preso acusado de ter matado seis jovens em Goiás. Diretora do IC estuda possibilidade de envenenamento.
Em 2009 foram realizadas 11.800 perícias, mas alguns exames não são realizados com as amostras porque perdem o prazo de validade
Gerente da Polícia Científica minimiza atraso na liberação de corpos. Aflição e revolta são sentimentos comuns de quem procura informações no Instituto de Medicina Legal (IML).
Os golpes aplicados aos usuários de cartões de crédito a cada dia têm se tornado mais comum e preocupam a população que utiliza o serviço. Para tentar proteger o cidadão e resguardá-lo da prática criminosa, o perito criminal Estefani Pinheiro, do Instituto de Criminalística da Polícia Civil esclarece algumas dúvidas da população e fornece algumas dicas simples de segurança para quem usa o cartão de crédito.
A Polícia Federal se equipou com 36 caminhonetes Mitsubishi L200 customizadas para a atividade pericial em todo o País. Com o novo aparato, a PF brasileira traz para o dia a dia um pouco mais da ficção, vista por exemplo, no seriado americano de grande sucesso Crime Scene Investigation (CSI). O equipamento agilizará o processo e contribuirá para a proteção das provas colhidas no local da ocorrência. O veículo foi apresentado aos peritos gaúchos nesta sexta-feira.
sábado, 24 de abril de 2010
Ombusdman Pericial: Nardonis e Silvas

O caso Nardoni foi um show! A perícia foi brilhante. Métodos, reagentes e equipamentos nunca antes vistos pelo público comum foram utilizados, mostrando que de fato houve uma grande evolução na perícia brasileira. Como já foi colocado por este blog em post anterior, o caso Nardoni foi a consagração da perícia brasileira. Nunca na história desse país, a classe pericial e sua importância foi tão divulgado nos meios de comunicação. Realmente, a qualidade do trabalho orgulha não só a classe pericial como toda a sociedade, que viu o seu desejo de justiça ser realizado por meio de um exame pericial de alta qualidade.
Mas com certeza alguns contribuintes devem ter se perguntado porque tais métodos não foram aplicados no exame de local de crime onde seus parentes ou conhecidos foram vítimas. Se alguns meios não estão disponíveis para todas as perícias, com certeza há um critério para utilização ou não deles. Mas quem decide isso? E quais seriam os critérios para estabelecer a utilização de métodos forenses avançados? Utilizar somente em casos midiáticos? A vida de um Nardoni vale mais do que os Silvas que morrem todos os dias vítimas de violência urbana?
As coisas estão melhorando. Peritos mais antigos relatam casos em que tinham que comprar luvas do seu próprio bolso, de rolos de filmes limitados, etc... Em alguns centros de criminalística, havia um limite máximo de fotografias por laudos para economizar. Ainda hoje, muitos laudos precisam ser impressos em preto e branco. E alguns equipamentos mais avançados não são utilizados em todos os casos.
No ano passado foi realizada a I Conferência Nacional de Segurança Pública, onde a sociedade organizada elegeu como segunda [não foi primeira por um único voto] diretriz prioritária em segurança pública "Promover a autonomia e a modernização dos órgãos periciais criminais, por meio de orçamento próprio, como forma de incrementar sua estruturação, assegurando a produção isenta e qualificada da prova material, bem como o princípio da ampla defesa e do contraditório e o respeito aos direitos humanos." (fonte: www.conseg.gov.br)
Ficou claro a importância da perícia na "produção isenta e qualificada da prova material".
Que este seja um direito de todos!
terça-feira, 20 de abril de 2010
Seminário de Perícias no Meio do Mundo
A Associação Amapaense de Peritos Oficiais (AAPO) realizará um conjunto de seminários que incluirá o VI Seminário Nacional de Perícia de Crimes Contra a Vida, IV Seminário Nacional de Perícia de Impressões Papilares e VII Seminário Nacional de Balística Forense.
Denominado Seminário de Perícias no Meio do Mundo, o evento ocorrerá em Macapá entre os dias 29 de junho e 02 de julho de 2010. Maiores informações sobre o evento, inscrições e submissão de trabalhos podem ser acessadas através do site da AAPO.

domingo, 18 de abril de 2010
Ombusdman Pericial: Arquivos Mortos Brasileiros

Um dos seriados de investigação policial mais interessantes é o "Cold Case", onde os peritos investigam casos antigos arquivados. A solução de muitos deles se dá através da utilização de tecnologias que não existiam no momento da perícia. Há casos reais onde os peritos estadunidenses chegaram a remover tintas de anos e coletar amostras de sangue, que puderam ser identificados por DNA. Mas nem sempre isso é possível, em muitos casos perde-se a oportunidade de chegar a conclusão de uma investigação por falta de uma coleta adequada de vestígios no exame de local de crime.
No Brasil, os peritos são sobrecarregados de trabalho e muitas vezes terminam por fazer "perícias expressas", objetivas e práticas. Por exemplo, porque aspirar toda a casa onde houve o crime se não haverá tempo nem condições técnicas adequadas para armazenar e analisar estes vestígios?! É preciso pensar bem na resposta deste quesito, pois a cena de crime é um local efêmero que jamais poderá ser reconstituído e pelo princípio da oportunidade, todo e qualquer vestígios deve ser coletado sim, mesmo que seja pra uma utilização futura.
Como que reabriremos nossos casos inconclusos um dia se não tivermos vestígios para analisar? Como podemos melhorar nossos arquivos mortos? Fica a reflexão.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Tiro: Bandido chamando a polícia
"O bandido vai saber que cada vez que ele apertar o gatilho, ele na verdade está chamando a polícia" Alberto Kopittke, Secretário de Segurança Pública de Canoas/RS.
Mas como isso será possível?
Estudamos no ensino médio que a velocidade do som no ar é de 340 metros por segundo (cerca de 1200km/h). Essa velocidade pode variar um pouco em função da temperatura que altera a densidade do ar e, por sua vez, a condução da onda sonora neste meio.
A idéia genial da empresa americana ShotSpotter é aplicar esse conhecimento no combate a criminalidade. Como? Espalhando uma rede de sensores acústicos em lugares estratégicos, será possível medir, numa determinada temperatura, quanto tempo a onda sonora do disparo demora para chegar no sensor e calcular sua distância relativa. Cruzando dados de alguns sensores, faz-se uma triangulação da distância para cada um e identifica-se o local do disparo imediatamente através de um GPS. A partir daí é só acionar Polícia, Samu, etc... Pela assinatura sonora, será possível identificar até o calibre da arma que efetuaou o disparo.
O sistema já funciona em algumas cidades dos Estados Unidos e deverá ser instalado em breve no município de Canoas-RS (Fonte: Reportagem da RBS). É uma ótima ferramenta investigativa, sem falar é claro das vítimas que serão salvas pelo melhora na agilidade do atendimento médico.
A idéia inicial da empresa era começar a entrar no mercado pelo Rio de Janeiro, mas parece que ficaram com medo do sistema dar pane com tantos tiros! Resolveram ser mais modestos... hahaha
[Saiba mais no site da Empresa ShotSpotter]
Mas como isso será possível?
Estudamos no ensino médio que a velocidade do som no ar é de 340 metros por segundo (cerca de 1200km/h). Essa velocidade pode variar um pouco em função da temperatura que altera a densidade do ar e, por sua vez, a condução da onda sonora neste meio.
A idéia genial da empresa americana ShotSpotter é aplicar esse conhecimento no combate a criminalidade. Como? Espalhando uma rede de sensores acústicos em lugares estratégicos, será possível medir, numa determinada temperatura, quanto tempo a onda sonora do disparo demora para chegar no sensor e calcular sua distância relativa. Cruzando dados de alguns sensores, faz-se uma triangulação da distância para cada um e identifica-se o local do disparo imediatamente através de um GPS. A partir daí é só acionar Polícia, Samu, etc... Pela assinatura sonora, será possível identificar até o calibre da arma que efetuaou o disparo.O sistema já funciona em algumas cidades dos Estados Unidos e deverá ser instalado em breve no município de Canoas-RS (Fonte: Reportagem da RBS). É uma ótima ferramenta investigativa, sem falar é claro das vítimas que serão salvas pelo melhora na agilidade do atendimento médico.
A idéia inicial da empresa era começar a entrar no mercado pelo Rio de Janeiro, mas parece que ficaram com medo do sistema dar pane com tantos tiros! Resolveram ser mais modestos... hahaha
[Saiba mais no site da Empresa ShotSpotter]
domingo, 11 de abril de 2010
Projetil ou Projétil ???
Oxítona ou paroxítona, tanto faz, o que importa é que o plural tem que seguir a lógica. É o que ensina o Prof. Pasquale no site do Governo de Sergipe: "(...) como funcionam as regras de acentuação, por exemplo, ou como funcionam os processos de formação do plural (oxítonas que terminam em 'il' fazem o plural em 'is', como 'juvenil/juvenis', 'pueril/pueris', 'ardil/ardis' etc.; paroxítonas que terminam em 'il' fazem o plural em 'eis', como 'fácil/fáceis','ágil/ágeis'). É isso."
Então se usar "projetil" (oxítona), use "projetis" no plural. Para "projétil" (paroxítona), "projéteis".
Pessoalmente, acho "projéteis" muito feio pra colocar no meu laudo. "Projetis" fica mais chique, parece mais difícil, o juiz vai respeitar mais o laudo! hahaha
Então se usar "projetil" (oxítona), use "projetis" no plural. Para "projétil" (paroxítona), "projéteis".
Pessoalmente, acho "projéteis" muito feio pra colocar no meu laudo. "Projetis" fica mais chique, parece mais difícil, o juiz vai respeitar mais o laudo! hahaha
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Humor - Teste de vidro blindado
Eu já disse para alguns colegas que quando nos tornamos peritos criminais nosso humor muda. Tenho reparado nisso há algum tempo e essa mudança é fatídica. Há quem diga que o humor pericial é mórbido, desinteressante ao leigo e descompromissado com o riso. Isso pode ser verdade... mas não é uma verdade absoluta. E este post visa provar essa tese.
Há alguns dias recebi um e-mail cujo título era "emprego para sogras". Como anexo à mensagem, estava o seguinte vídeo:
Quando encaminhei tal e-mail a alguns colegas da área pericial, as respostas foram as mais variadas. Alguns simplesmente riram. Outros fizeram comentários que julgaram pertinentes, como "onde candidato minha sobra para tal oportunidade?" ou "só deixaria minha querida sogra aceitar tal emprego se o vidro fosse de blindagem nível 1 e o armamento de teste fosse calibre .50". Mas os melhores comentos foram:
"Pena que o atirador é bom. Ele não podia dar uma erradinha no alvo e acertar mais embaixo?"
"Puxa! O vidro é bom mesmo. Bem que poderia ser um pouco menos resistente."
terça-feira, 6 de abril de 2010
Tecnologia Forense (History Channel)
Esta nova série de seis capítulos apresenta a história das mais importantes técnicas de investigação, que têm ajudado detetives e peritos na capturar criminosos. Desde a identificação de impressões digitais até a busca de venenos na corrente sangüínea; tecnologia forense realizou o que no passado pensava-se impossível. Entretenha-se com a Tecnologia Forense e saiba como funcionam os métodos de investigações criminosas mais importantes e a forma em que são aplicadas nos casos mais difíceis.
Horários: Terças (16h) e Quartas (4h).
PS: Nada como estar de férias! :)
Horários: Terças (16h) e Quartas (4h).
PS: Nada como estar de férias! :)
quinta-feira, 1 de abril de 2010
O ex-crime de adultério e suas consequências periciais
No último domingo, 28 de março de 2010, se completaram 5 anos das alterações introduzidas no Código Penal Brasileiro pela Lei 11.106/05. "Mas e daí?" deve estar se perguntando o leitor. E daí que uma das alterações foi a revogação do artigo 240 que preconizava o adultério como crime.

Quando penso neste ex-crime, fico imaginando que tipo de vestígio tal infração poderia deixar. Em outras palavras, qual seria a seara do perito diante de um (ex)crime de adultério. Conversei com alguns colegas mais antigos afim de saber se já foram requisitados a proceder exames em locais ou peças desta natureza. Para minha surpresa, um deles, já aposentado, respondeu que sim.
Disse o colega que recebeu uma camisinha usada, embalada em saquinho de supermercado para o exame. Uma mulher, supostamente a esposa traída, teria levado tal peça à delegacia e pedido ao delegado que, com ela, provasse que seu marido a traíra. Como de costume, a peça foi parar nas mãos de um perito para dirimir tal questão. À época (início da década de 80), nada podia ser feito. Mas se fosse nos dias atuais, um exame de DNA poderia ter sido realizado considerando a superfície externa (que provavelmente possuia material biológico "da outra") e a superfície interna (onde se encontraria material biológico do marido).
Talvez não, pois "se fosse nos dias atuais" a conduta do marido não seria tipificada como crime. Mas, não é por isso que o adultério deixou de ser punido. Me refiro à punição civil, e não a criminal. A fidelidade é descrita no Código Civil de 2002 como um dos deveres de quem se casa e o descumprimento desse dever tem fundamentado punições judiciais que têm resultado em indenizações aos infiéis. Curiosamente, as condenações fundamentadas nestes termos têm aumentado desde a extinção do crime de adultério. É o que mostra a repostagem de Carolina Brígido, publicada pelo Globo.
Será, portanto, que ainda há de ser objeto de perícia a tal camisinha usada em casos de adultério? Talvez sim, mas seria um caso para um perito judicial. Boa sorte aos colegas da área cível.
sábado, 27 de março de 2010
O caso Nardoni e a consagração da perícia brasileira
É, sem dúvida, um caso emblemático. A morte da menina Isabella Nardoni, ocorrida há quase dois anos, mobilizou a nação. A brutalidade com que os fatos teriam ocorrido levou a tal mobilização. A cobertura massante da mídia e a comoção nacional colocaram o caso em seu merecido lugar: o rol de casos criminais históricos da justiça brasileira.
Histórico, mas não apenas no que tange à justiça. Histórico pelo meios de prova preponderantemente considerados. Histórico pela materialidade dos fatos que emergiu do trabalho pericial. No caso Nardoni não houve testemunhas presenciais, portanto as provas materiais assumiram papel chave na apuração do ocorrido. E foi a perícia de ofício, representada no tribunal pelos laudos e personificada na perita criminal Dra. Rosângela Monteiro, que vislumbrou os eventos.

Dra. Rosângela Monteiro, perita criminal assistente da diretoria do núcleo de perícias em crimes contra a pessoa do Instituto de Criminalística (IC) da Superintendência de Polícia Técnico-Científica de São Paulo (Foto: Raul Zito/G1)
Nessa madrugada, o casal Alexandre Nardoni e Anna Jatobá foi considerado culpado pelo júri. Na corte, foi emblemático o litígio entre a força dos indícios (sustentada pela acusação) e a suposta dúvida sobre o conteúdo dos laudos (tese da defesa). O júri votou e o veredito não deixou dúvida acerca da força das provas materiais. O desdobramento do resultado apontado pelos jurados não apenas atendeu ao clamor popular que tomou o país, mas consagrou a perícia brasileira.
Apesar das tentativas de desqualificação dos profissionais da perícia e de seus trabalhos, das opiniões de assistentes técnicos contratados pela defesa (como George Saguinetti e Delma Gana), a condenação mostrou uma mudança cultural em nossos tribunais do júri, ressaltando a importância da perícia em casos criminais. Importância esta que a população se acostumou a ver nos meios hollywoodianos sem se lembrar que a ciência contra o crime deve ser aplicada e valorizada na vida real. Até mesmo neste sentido o caso Nardoni é importante: não me recordo de outra ocasião em que a pericia criminal brasileira tenha sido tão divulgada e discutida quanto na oportunidade em tela.
Já comentei por aqui que um dos objetivos iniciais deste blog era o de divulgar o trabalho pericial para, assim, valorizar os profissionais da perícia. Em assim sendo, o caso aqui discutido atingiu, e com muita propriedade, esse objetivo. Este veículo, portanto, não poderia deixar de ressaltar o caso, seu veredito e suas conseqüências. Há de ser dizer que a perícia brasileira ganhou prestígio e valorização diante deste caso. Os trabalhos realizados e apresentados são motivo de orgulho dos peritos criminais Brasil a fora.
Devemos, portanto, agradecer e parabenizar à Dra. Rosângela Monteiro e aos demais peritos que estiveram envolvidos como o caso. O excelente trabalho destes profissionais enalteceu a classe pericial e consagrou a pericia criminal brasileira!
quinta-feira, 25 de março de 2010
Perícia: objeto de arte
Vagando pela internet, encontrei versos que pautavam sobre o tema "forensic science" em um blog denominado Music Literature Weird Stuff. Vejam tais versos abaixo:
Forensic Science
Note, Sir
the gentle depression on the sofa
where she sat, her arm draped on the backrest
Do photograph the vacuum;
It may tell you something.
The air shimmers -
She was here; I sense the form
and the quiet air still carries
the echoes of her voice;
can it be recorded?
Pick up that strand of black hair carefully,
with tweezers
Decipher the DNA
Reconstruct that beautiful face
that I may once again look and be lost
Ah! a wine glass! Evidence!
Handle it carefully, with a soft cloth;
capture her prints
and model her soft fingers
that I may hold them to my lips again.
Lipstick prints on a tissue!? Wonderful!
Are they identical, Sir,
to those placed on my eyebrows
so long ago? Those
that I failed to collect?
How will you find her?
She, the victim AND the murderer?
Go back in time, snatch her,
before she vanishes
into colourless memories.
Não sei quanto aos nobres colegas e leitores, mas me encheu os olhos ver a atividade pericial poetizada. Ainda não havia pensado na perícia como objeto de arte de qualquer natureza.
domingo, 21 de março de 2010
Coordenadas Geográficas: Transformação de Datum
Todos sabemos que as coordenadas de localização geográfica são valores de latitude (norte/sul) e longitude (leste/oeste) que indicam a posição de um ponto na superfície do Planeta Terra. Ocorre que o plano de projeção das latitudes/longitudes no planeta é regular e assume que o planeta seja um geóide perfeito, mas a superfície do planeta não tem nada de regular, ocorrendo distorções entre a posição real e o geóide perfeito imaginado.
Mas onde que é encaixada a grade de latitude e longitude? Há vários modelos, chamados de datum, sendo os mais comuns o SAD69 (South American Datum 1969, utilizado pelo Ibama, Inpe, etc...), o WGS84 (Utilizado pelo Google Earth) e o SIRGAS (Oficial brasileiro a partir de 2015, bem parecido com o WGS84). O datum seria, então, um conjunto de pontos de amarração da grade de latitudes e longitudes. Para ilustrar, é o equivalente a definir pontos de amarração específicos para colocar um "globo da morte" gigantesco na superfície irregular do planeta numa posição exata. Isso explica porque, muitas vezes, as coordenadas coletadas em campo não se encaixam com as imagens do Google Earth.
As cooordenadas 23°32'54.79"S e 46°39'54.86"O (datum WGS84), por exemplo, referem-se ao centro do gramado do Estádio Pacaembu, em São Paulo-SP. Essas mesmas coordenadas no datum SAD69 localizam-se a cerca de 60 metros de distância, nas cadeiras numeradas. Normalmente essa distância é de algumas dezenas até 200 metros, o que pode ser crucial em levantamentos urbanos e/ou em caminhadas em mata fechada.

O comum de um leigo é só anotar a coordenada, mas um Perito tem que colocar também o datum utilizado pelo GPS na coleta dos dados. Assim não desmoraliza a classe nem sua expertise ao tentar sobrepor dados de um Sistema de Informações Geográficas que "não se encaixam"! :)
A quem interessar, encaminho alguns links úteis para conversão de Coordenadas de vários tipos e de data diferentes:
No site da Cartográfica/UFRGS, vá em Conversor online. Na página Transformação de Coordenadas, no canto superior tem um link "Calculos".
Outras opções são a UERJ e o Centro de Referência em Informações Ambientais (CRIA).
Afinal, não basta um GPS, tem que saber onde está! hehe
Mas onde que é encaixada a grade de latitude e longitude? Há vários modelos, chamados de datum, sendo os mais comuns o SAD69 (South American Datum 1969, utilizado pelo Ibama, Inpe, etc...), o WGS84 (Utilizado pelo Google Earth) e o SIRGAS (Oficial brasileiro a partir de 2015, bem parecido com o WGS84). O datum seria, então, um conjunto de pontos de amarração da grade de latitudes e longitudes. Para ilustrar, é o equivalente a definir pontos de amarração específicos para colocar um "globo da morte" gigantesco na superfície irregular do planeta numa posição exata. Isso explica porque, muitas vezes, as coordenadas coletadas em campo não se encaixam com as imagens do Google Earth.
As cooordenadas 23°32'54.79"S e 46°39'54.86"O (datum WGS84), por exemplo, referem-se ao centro do gramado do Estádio Pacaembu, em São Paulo-SP. Essas mesmas coordenadas no datum SAD69 localizam-se a cerca de 60 metros de distância, nas cadeiras numeradas. Normalmente essa distância é de algumas dezenas até 200 metros, o que pode ser crucial em levantamentos urbanos e/ou em caminhadas em mata fechada.
O comum de um leigo é só anotar a coordenada, mas um Perito tem que colocar também o datum utilizado pelo GPS na coleta dos dados. Assim não desmoraliza a classe nem sua expertise ao tentar sobrepor dados de um Sistema de Informações Geográficas que "não se encaixam"! :)
A quem interessar, encaminho alguns links úteis para conversão de Coordenadas de vários tipos e de data diferentes:
No site da Cartográfica/UFRGS, vá em Conversor online. Na página Transformação de Coordenadas, no canto superior tem um link "Calculos".
Outras opções são a UERJ e o Centro de Referência em Informações Ambientais (CRIA).
Afinal, não basta um GPS, tem que saber onde está! hehe
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