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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

"Cheirador" eletrônico de drogas

Vejam a notícia abaixo, extraída desse link.

Aparelho é criado para detectar cheiro de droga no ar
CBN Goiânia

Um mestrado em Química na Universidade de São Paulo (USP) teve como resultado um sensor capaz de detectar maconha e cocaína no ar, em estado gasoso. O aparelho foi desenvolvido pelo professor do Instituto Federal de Goiás (IFG), Matheus Manoel Teles.

O equipamento capta o cheiro da droga no ar e pode ser utilizado em ações de combate a crimes de narcotráfico. O sensor tem o tamanho de um HD externo e pode ser portado no bolso em casos de investigações e operações policiais.

O professor Matheus Manoel Teles afirma que conseguiu inovar através da pesquisa. Apesar de a princípio ter desenvolvido o aparelho para fins acadêmicos, o professor garante que não descarta a possibilidade de utilização do equipamento pela polícia.

Segundo Matheus, para que isso ocorra, basta o interesse da instituição. Diferentemente do bafômetro, para que o aparelho funcione não é necessário que a pessoa sopre, o que facilita o trabalho na hora de uma investigação.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Maleta de local de crime - Papiloscopia

Há ainda na tal maleta para levantamento de local de crime uma certa quantidade de pós para revelação de impressões papilares, pincéis e aplicador específicos, levantadores articulados, fitas adesivas para levantamento, coletor de impressões digitais e cianoacrilato.

Dentre os pós temos frascos de pó preto, pó branco, pó prata, pó de dupla função, pó fluorescente verde, pó magnético preto e pó magnético preto-prata. O princípio para a utilização de cada pó é simples: utilize um pó de cor que permita o contraste com o fundo. Assim, para fundos claros, utiliza-se pó escuro, e vice-versa. O interessante é que temos alguns pós que são mais versáteis que isso. O pó de dupla função, por exemplo, é uma mistura de pó preto com pigmentos fluorescentes que reagem a certos comprimentos de onda (395 nm - UV) sob condições de pouca luminosidade. Na imagem abaixo, na impressão digital revelada à esquerda foi utilizado o pó de dupla função e na da direita, o pó preto. Para gerar a imagem, incidiu-se uma lanterna UV de 395nm.


O pó fluorescente verde fornece bons resultados quando o fundo é confuso, multicolorido ou escuro, mas para visualizar a fluorescência é necessária a aplicação de de uma luz com comprimento de onda específico e, dependendo de tal comprimento, utilizar um filtro. É possível visualiza-lo com a luz UV (395 nm) sem a utilização de filtros. Entretanto, melhores resultados foram obtidos com a luz azul de 470nm mediante o filtro laranja. A imagem abaixo mostra um impressão revelada com o pó fluorescente verde mediante a utilização da lanterna de 470nm e filtro laranja.


Pós magnéticos de maneira geral não devem ser utilizados em materiais metálicos magnetizáveis, pois o pó e o aplicador interagem com a superfície. Tais pós costuma dar bons resultados em papeis. Um dos pós presentes na maleta (preto-prata) revela fragmentos papilares tanto em superfícies claras quanto escuras. Abaixo, temos uma impressão palmar sobre um guardanapo (revelado com p[o magnético preto) e duas impressões em uma lata de fundo claro e escuro, mostrando a versatilidade do pó preto-prata.



A ressalva que deve ser feita é para a granulosidade de tais pós. O pó preto e os magnéticos apresentam granulosidade maior que os demais, o que facilita seu manuseio. No entanto, os demais, especialmente o prata e o fluorescente, são bastante finos, com partículas tenuíssimas. Tal característica dificulta a aplicação adequada, pois pode facilmente levar o aplicador a erro por excesso de pó. Portanto, ao utiliza-los, recomenda-se a prática prévia.

Dentre os pincéis, temos um de pêlo de camelo, um de fibra de vidro e um de fibra de carbono, além de um aplicador magnético. Destes, o mais impressionante é o de fibra de carbono, por permite a aderência de uma quantidade muito pequena de pó, facilitando a aplicação dos pós de menor granulosidade.

Há ainda um coletor de impressões digitais para a coleta de padrões para confronto. Segundo o fabricante, apresenta tinta permanente e de secagem rápida. Nada de novidade.

Os levantadores articulados são interessantes. Primeiro porque são dotados da superfície suporte. Segundo porque eliminam a utilização de lâminas de vidro que, ao se quebrarem, não permite a utilização do fragmento levantado. Terceiro porque vêm com o suporte em três cores: preto, branco e transparente, possibilitando seu uso com qualquer pó. Há uma crítica, entretanto: seu tamanho não permite sua utilização em uma impressão palmar ou plantar. Há quem diga que essa necessidade seria suprida pelas fitas presentes nas maletas, mas não vejo suporte para cola-las após o levantamento.



O cianoacrilato (que vem com o audacioso nome de "THE FINDER") é um caso a parte. Diferente da maioria dos produtos similares, esse vem no formato de um envelope e não precisa de uma fonte contínua de calor. Basta esfregar o envelope entre as mãos, aquecendo-o por atrito, e colocar o envelope aberto em um local confinado contendo o objeto em que se busca a impressão. Segundo o fabricante, o mesmo envelope pode ser utilizado nas 12h seguintes a sua abertura. O problema é que o fabricante só garante sua eficácia por três meses se armazenado em temperaturas entre zero e 21 graus Celsius. Portanto, não dá para deixar dentro da maleta enquanto esta permanece na viatura sob o sol de um dia de verão!


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Maleta de local de crime - EPIs

Muito bem. Conforme prometido, vamos começar a discutir aqui no CCC os itens da tal maleta para levantamento de locais de crime.

Os primeiros equipamentos que aqui comentaremos são aqueles relacionados a proteção individual, conhecidos pela sigla EPI (Equipamentos de Proteção Individual). Segundo Wikipedia, EPIs "são quaisquer meios ou dispositivos destinados a ser utilizados por uma
pessoa contra possíveis riscos ameaçadores da sua saúde ou segurança durante o exercício de uma determinada atividade. Um equipamento de proteção individual pode ser constituído por vários meios ou dispositivos associados de forma a proteger o seu utilizadorcontra um ou vários riscos simultâneos. O uso deste tipo de equipamentos só deverá ser contemplado quando não for possível tomar medidas que permitam eliminar os riscos do ambiente em que se desenvolve a atividade" (grifo meu).

Reparem que nesse conceito de EPI o objetivo prime desses equipamentos é

o de "proteger o seu utilizador". Faz todo o sentido: o trabalhador usa desses dispositivos para proteger a si mesmo contra possíveis agentes danosos a sua saúde presentes no meio em que trabalha. Isso Também se aplica às atividades periciais, vez que o local de crime se configura como um ambiente em que não é possível eliminar riscos para atividade do perito criminal durante seus exames.

Entretanto, há outro aspecto desses EPIs que não são contemplados nos conceitos mais gerais desse tipo de equipamento. Quando aplicados aos meios periciais, os EPIs funcionam como uma via de duas mãos: eles evitam a contaminação do perito criminal e, ao mesmo tempo, evitam a contaminação da prova pericial. Avaliados sobre esse prisma, os EPIs periciais devem ter características que os diferem dos EPIs tradicionalmente aplicados à segurança do trabalho.

Na maleta de levantamento de local de crime temos três EPIs importados da segurança do trabalho: luvas de látex, máscaras semi-faciais e óculos de proteção. As primeiras apresentam problemas orgânicos quando utilizadas no meio forense: são muito elásticas, não são estéreis e apresentam um pó branco no interior (geralmente amido). A elasticidade pode ser um problema para o perito menos avisado no momento em que remove as luvas usadas: ao estica-las, a força elástica lança material contaminante para as redondezas, contaminando os arredores (inclusive vestígios que ali estejam presentes); sem contar a falta de esterilização que por si só pode gerar questionamentos.

O pó no interior da luva é um caso a parte. Em tese, utiliza-se um par de luvas para cada vestígio manipulado (lembre-se que o EPI em meio pericial protege o perito e o vestígios, logo há de se trocar de luvas a cada material manuseado). Uma prática comum é a de utilizar várias luvas de látex sobrepostas e, a cada vestígio manipulado, uma par de luvas é removido, utilizando-se o par seguinte. Isso facilita o procedimento, já que o perito não precisa colocar novo par de luvas. Porém, o pó que estava na parte interna da luva removida agora está na parte externa da próxima luva a ser utilizada. Tal pó passa a contaminar as próximas amostras. Sim, eu sei, alguns podem dizer que estou aqui a usar de um purismo desnecessário. Porém, se considerarmos um conceito amplo de contaminação (aquele que diz que contaminante é qualquer coisa que não pertença aquela amostra) temos que o tal pó contamina a prova.

As máscaras que acompanham as maletas são semi-faciais são dotadas de um filtro combinado do tipo A1B1P2, que equivale a dizer que suportam vapores orgânicos, gases ácidos e materiais particulados. Nos casos clássicos de atendimento a local fechado contendo um cadáver em decomposição, tal filtro resolve cerca de 85% dos odores (quando novo) em uma avaliação subjetiva. (Acreditem, 85% de eficácia faz toda a diferença nesses casos. É o que permite que o perito deixe de fazer esses exames em apnéia).

O problema das máscaras semi-faciais tradicionais é que a válvula de exalação não possui filtros. E faz todo o sentido para a segurança do trabalho: o gás expelido da máscara não precisa de tratamento, pois não oferece risco para o trabalhador. No entanto, em meio pericial o exalado pode contaminar o vestígio. Geralmente, as válvulas de exalação estão localizadas na parte inferior da máscara. Ao exalar, nós colocamos para fora ar, dióxido de carbono e gotículas de água e saliva. Tal exalado sai pela válvula de exalação localizada na parte inferior. Ao manipular um vestígios tendemos a posiciona-lo a frente, ligeiramente abaixo da face, exatamente na direção das válvulas de exalação. Logo, há o potencial de contaminação biológica do perito à prova. O ideal seria uma válvula de exalação acoplada a um filtro ou a um tubo que levasse o exalado para outra direção.


Os óculos de proteção são bem interessantes. São rígidos e grandes o bastante para utiliza-los sobre óculos de grau convencionais. Oferecem proteção física, química e biológica no local de crime. Parece besteira, mas uma colega perita teve a infelicidade de estar presente em um local contendo um cadáver em fase gasosa da putrefação. Em dado momento, um pequeno orifício foi aberto no abdômen do corpo e líquido putrefeito espirrou em seus olhos. A colega ganhou um infecção ocular que, após tratada, deixo sequelas.

Sobre os EPIs, era isso.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Maleta de local de crime



Como muitos já sabem, o Ministério da Justiça (MJ), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), adiquiriu maletas contendo equipamentos para levantamento de locais de crime. Tais maletas estão sendo distribuídas aos Estados e, com elas, treinamentos têm sido ministrados aos Peritos Criminais. Tais treinamentos visam capacitar os profissionais na utilização de cada equipamento.

Uma breve descrição dos itens distribuídos seria: “maleta de polipropileno com os seguintes materiais: materiais de coletas de fragmentos impressões digito-papilares (lupa, pós, pinceis inclusive magnéticos, envelopes de cianoacrilato e material para modelagem de impressões digitais; Kit de luz forense (8 lanternas) com suportes, óculos, protetores/visualizadores de vestígios e filtros para fotografia; reagentes para drogas (cocaína e maconha); reagente para revelação de traços de sangue latente; reagente para revelação de traços de sangue específico humano; kit mascara contra gases e luvas; aparelho GPS; paquímetro profissional digital; máquina fotográfica digital (com acessórios), trena eletrônica a laser; netbook com os softwares usuais e um software forense de comparação de imagens”.

Já faz algum tempo que colegas vêm me pedindo para fazer um post sobre o assunto. Vou fazer melhor: uma série de posts descrevendo cada item da maleta para divulgação e discussão aqui no CCC.